1. Introdução
As festas populares representam um campo privilegiado para a análise das dinâmicas culturais, identitárias e simbólicas das comunidades. Em Portugal, a Festa de Santo Estêvão, realizada anualmente na aldeia de Ousilhão (Pessanha 1960, Monteiro 1990, Rocha 2005, Pereira 2006, Godinho 2009), destaca-se pela presença dos Máscaras de Ousilhão (como gostam de ser apelidados), personagens mascaradas que, através das suas atuações, das suas indumentárias coloridas e da ritualização, materializam uma tradição enraizada no tempo e na localidade. A máscara, elemento central dessa expressão, não se apresenta apenas como ornamento festivo, mas como artefacto que incorpora valores históricos, sociais e estéticos profundamente enraizados na comunidade.
A aldeia de Ousilhão (figura 1) situa-se no concelho de Vinhais, distrito de Bragança, na região do Nordeste Transmontano, uma zona caracterizada por paisagens montanhosas, forte herança agro-pastoril e práticas culturais profundamente enraizadas. Inserida no território da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica (https://www.biosfera-mesetaiberica.com/), a aldeia de Ousilhão pertence à União de Freguesias de União das Freguesias de Nunes e Ousilhão e constitui-se como um de muitos núcleos habitacionais representativos da resistência e resiliência cultural do mundo rural transmontano.
Em 2021, esta União de Freguesias registava 197 habitantes, evidenciando o fenómeno do despovoamento e o envelhecimento demográfico que afeta grande parte do interior português (INE 2021). Apesar do declínio populacional, a aldeia preserva um forte sentido de identidade coletiva, visível nas suas celebrações religiosas e populares, das quais se destaca a Festa de Santo Estêvão, realizada anualmente nos dias 25 e 26 de dezembro. Esta festividade é especialmente conhecida pela presença dos Máscaras de Ousilhão, figuras mascaradas que protagonizam um ritual de inverno de origem ancestral. Através desta celebração, o povoado de Ousilhão afirma-se como um espaço de resistência cultural, onde a tradição é não apenas preservada, mas reinventada e revitalizada como elemento central da memória e da identidade local (Pessanha 1960, Monteiro 1990, Rocha 2005, Pereira 2006, Godinho, 2009, Camponês 2014, Veiga 2018).
Este artigo propõe uma visão materialista da careta (máscara) tradicional de Ousilhão, entendendo-a como um objeto que resulta da ação concreta de saberes artesanais, mas que também opera como mediador simbólico e identitário. A presente análise fundamenta-se na premissa de que os objetos culturais, especialmente aqueles que integram celebrações festivas, não são elementos neutros ou meramente decorativos: eles participam ativamente na construção e reprodução profunda de significados sociais (Monteiro 1990, Rocha 2005, Pereira 2006, Godinho2009, Gibson e outros 2009, Buch e outros 2011a, Veiga 2018).
Neste contexto, investigam-se os múltiplos sentidos atribuídos à máscara e ao traje do Máscara de Ousilhão, observando como estes atuam na encenação comunitária e na cenografia ritual da Festa de Santo Estêvão. Serão abordadas as dimensões estéticas e performativas desses elementos, assim como a sua função social, com especial atenção para os processos de transmissão de memória e da tradição, reforço da identidade local e adaptação às mudanças contemporâneas, nomeadamente no que diz respeito à inclusão de género (Gaur e Chapnerkar 2015, Barkar 2023).
A inovação e a inclusão de género emergem como aspetos relevantes na evolução contemporânea da máscara e do traje dos Máscaras de Ousilhão, refletindo a capacidade da tradição em dialogar com as transformações sociais atuais. Embora enraizados em práticas antigas, estes elementos festivos têm vindo a adaptar-se às novas dinâmicas demográficas e culturais, nomeadamente através da crescente participação feminina nos rituais outrora exclusivamente masculinos.
Este fenómeno, motivado em parte pelo despovoamento humano do território e pela necessidade de continuidade da tradição, ilustrando o que Gaur e Chapnerkar (2015) designam como a necessidade de resiliência cultural, em que práticas simbólicas ajustam-se a novos contextos sem perder o seu núcleo identitário. A presença de mulheres mascaradas ou artesãs da máscara e traje, muitas vezes considerada uma inovação recente, é, na verdade, sustentada por evidências históricas e populares da comunidade que apontam para uma constatação que reforça a ideia de que as tradições não são estáticas, mas sim “práticas inventadas e reinventadas” (Hobsbawm e Ranger 1983). Assim, a máscara, enquanto artefacto simbólico, deixa de ser um marcador de género fixo e passa a ser reconhecida como um meio inclusivo de expressão cultural e pertença, permitindo que a tradição se mantenha viva, dinâmica e socialmente relevante (Buch e outros 2011a, Barkar 2023).
A partir de uma breve revisão bibliográfica sobre as temáticas da Máscara, da arte e da inclusão, o estudo propõe-se ainda compreender como o objeto-máscara transcende a sua função ritual, tornando-se uma ferramenta de mediação entre passado e o presente, tradição e inovação. Através da realização de entrevistas semiestruturadas a 3 artesãos da máscara e do traje da aldeia de Ousilhão, pretendendo-se, através da discussão dos resultados obtidos, contribuir para uma reflexão antropológica sobre as práticas culturais locais e o seu papel na afirmação identitária e na valorização do património imaterial. Finalmente, são apresentadas as principais conclusões do estudo e a definição de linhas para investigações futuras.
2. Revisão da literatura
2.1. A máscara tradicional como artefacto material e cultural
A máscara tradicional dos Máscaras de Ousilhão é, antes de mais, uma criação material que emerge da ação artesanal e do saber local. A sua feitura envolve técnicas transmitidas intergeracionalmente, utilizando madeira, cortiça, metais ou tecidos, e assumindo formas que variam entre o zoomórfico e o grotesco. Esse processo de produção, longe de ser meramente técnico, carrega uma profunda carga simbólica, pois é nesse gesto artesanal que se inscreve a continuidade da tradição (Pessanha 1960, Jamieson 2004, Pereira 2006, Godinho 2009, Buch e outros 2011a, Veiga, 2018, Afonso 2020).
Para aprofundar a análise da máscara é necessário reconhecer que os objetos culturais não existem de forma isolada: são produzidos, utilizados e interpretados em contextos sociais específicos. Como afirma Lin e Lee (2020), o objeto artesanal, especialmente no contexto ritual, atua como um “dispositivo cultural”, ou seja, um mediador entre o indivíduo e o coletivo, entre o sensível e o simbólico. No caso dos Máscaras, a máscara não oculta apenas a identidade do indivíduo, mas também lhe confere uma nova persona, legitimada pela tradição e pela sua atuação como personagem mascarada.
A máscara é, portanto, simultaneamente um artefacto artístico e um vetor de memória social. O seu valor estético não reside apenas na sua forma final, mas em todo o seu processo de criação, envolvendo as escolhas dos materiais, domínio de técnicas e intencionalidade simbólica. A presença de artesãos locais na produção das máscaras reforça o papel da comunidade como guardiã do património imaterial, além de destacar a importância da economia do capital simbólico (Hill 2021) envolvida na manutenção da festividade (Falah e outros 2021).
Para além disso, ao ser inserida num ritual festivo (Schechner 2002) como a Festa de Santo Estêvão, a máscara ganha vida performativa. Não se trata de um objeto inerte, mas de um componente essencial da dramatização cultural que se realiza no espaço público da aldeia. O Máscara de Ousilhão, ao vestir a máscara e o traje, deixa de ser apenas um indivíduo e passa a encarnar um papel coletivo, um arquétipo que simboliza a transgressão, o renascimento e a celebração. Essa performance reforça a capacidade da máscara de articular significados complexos entre a estética, a identidade e o território (Godinho 2009, Gibson e Davidson 2004, Skogvang 2020).
Demonstra-se assim que a careta (máscara) dos Máscaras de Ousilhão não é apenas uma representação visual ou uma peça de folclore, mas um objeto ativo na produção e reprodução da cultura local. A sua análise, sob uma lente interdisciplinar, permite aceder a múltiplos níveis de significado, revelando a complexidade do diálogo entre a tradição artesanal e a expressividade simbólica.
2.2. A máscara tradicional e a identidade comunitária
A máscara dos Máscaras de Ousilhão não se limita à sua dimensão material e estética. Ela é também uma expressão tangível da identidade coletiva da comunidade. Inserida no contexto da Festa de Santo Estêvão, esta máscara adquire um papel central na encenação de uma memória partilhada, funcionando como instrumento de comunicação não verbal que traduz crenças, valores e narrativas locais (Gibson e outros 2009, Guo e outros 2021).
A identidade comunitária, no contexto da aldeia de Ousilhão, é desenvolvida através da ritualística associada ao Máscara de Ousilhão. O uso da máscara e do traje, normalmente compostos por chocalhos (campainhas), cores vibrantes e elementos que evocam o caos e a energia no seu estado mais puro, configura uma linguagem simbólica que opera para além da palavra verbal. Cada Máscara de Ousilhão, ao desfilar pelas ruas da aldeia, encena um papel que remete à tradição, ao imaginário coletivo e ao sentido de pertença daquela Comunidade. Como observa Barkar (2023), as festas tradicionais funcionam como palcos de narrativas comunitárias onde o passado é reinterpretado no presente.
O ritual do Máscara de Ousilhão não é apenas uma representação: é uma experiência vivida que reforça os laços sociais e atualiza a memória cultural. A indumentária, muitas vezes herdada ou produzida localmente, carrega marcas de identidade, sendo ela própria um arquivo visual da comunidade. Segundo Tao e outros (2020), o vestuário tradicional nas festividades populares atua como “veículo de herança cultural e memória coletiva”, tornando-se uma ponte entre as gerações.
Este fenómeno é intensificado pelo caráter participativo e intergeracional da festa, onde a preparação das máscaras e dos trajes envolve famílias inteiras e reforça o sentimento de continuidade cultural. A máscara, assim, torna-se mais do que um símbolo visual: ela é o elo entre o sujeito e a comunidade, entre o ritual e a pertença. A sua utilização durante a festividade é, por conseguinte, um ato de afirmação identitária, um gesto que legitima o indivíduo como membro pleno da tradição.
Para além disso, tal como observado por Gaur e Chapnerkar (2015), as festividades, como a Festa de Santo Estêvão de Ousilhão, promovem formas de coesão social, criando momentos de suspensão da vida quotidiana que permitem o reforço dos vínculos afetivos e simbólicos. A máscara, nesse processo, é o ponto de convergência entre a individualidade e o coletivo: é ela que permite a transformação ritual e o acesso a um lugar simbólico no coração da cultura local.
Assim, a máscara não só representa a identidade comunitária, como também a constrói e a perpetua através da sua atuação e ritualização. Trata-se de um artefacto cultural que liga o indivíduo à coletividade e o presente à memória, opera como um elemento essencial na narrativa viva da comunidade de Ousilhão.
2.3. Inovação e género: desafios contemporâneos
As festividades populares, embora profundamente enraizadas na tradição, não são estáticas. Pelo contrário, estão em constante diálogo com os valores sociais do seu tempo, sendo permeáveis a transformações que surgem de dinâmicas culturais, políticas e identitárias. No caso dos Máscaras de Ousilhão, uma das questões contemporâneas que emergem com maior força diz respeito à participação das mulheres neste universo tradicionalmente masculino (Bendix 1997, De Almeida 2009).
Historicamente, a figura do Máscara tem sido associada ao masculino, reproduzindo papéis sociais marcados pela virilidade, pela transgressão simbólica e pela ocupação ritual do espaço público no dia da festividade. No entanto, tal como demonstram estudos recentes sobre festividades tradicionais em contextos diversos, a inclusão de mulheres nessas práticas pode gerar novas possibilidades e significados, contribuindo para a pluralização das expressões identitárias e para a atualização simbólica da tradição (De Almeida 2009, Godinho 2009, Gaur e Chapnerkar 2015, Barkar 2023).
A abertura ao feminino (Butler 1990, De Almeida 2009), seja através da participação direta de mulheres como Máscara, seja na construção de máscaras e de trajes tradicionais, reconfigurando funções e espaços ocupados durante a festividade, não implica, necessariamente, uma rutura com a tradição, mas antes a representação de uma forma de inovação cultural. Como afirmam Tao y otros (2020) e Barkar (2023), os festivais que incorporam elementos de inovação tendem a ampliar a sua relevância social, tornando-se mais inclusivos e representativos da diversidade contemporânea.
Essa possibilidade de transformação deve, no entanto, ser pensada com sensibilidade e respeito pelas comunidades locais, considerando os significados históricos que a tradição carrega. A introdução de novos sujeitos na performance ritual pode, por vezes, gerar tensões, mas também contribuir para novos diálogos intergeracionais dando vitalidade à prática cultural. Em Ousilhão, os primeiros sinais de abertura, ainda que tímidos, apontam para um potencial de reinterpretação simbólica que merece uma atenção por parte da investigação antropológica.
A questão de género, nesse contexto, não se reduz a uma reivindicação identitária, mas envolve também uma reconfiguração do que se entende por pertença e representação cultural. A presença de mulheres nas celebrações dos Máscaras de Ousilhão pode reconfigurar a relação entre o corpo, a máscara e o território, gerando novas leituras sobre o papel dos sujeitos na construção da identidade coletiva.
Assim, a inovação no que se refere de forma particular à inclusão de género, pode ser entendida como uma oportunidade para revitalizar a tradição, promovendo a sua continuidade num mundo em constante transformação.
3. Metodologia
Foi adotada uma abordagem qualitativa centrada na realização de entrevistas semi-estruturadas a artesãos locais envolvidos na criação das máscaras e trajes tradicionais utilizados na Festa de Santo Estêvão da aldeia de Ousilhão, com intuito de aprofundar a compreensão das práticas materiais, simbólicas e sociais que envolvem a produção destes artefactos, valorizando os saberes e as narrativas dos seus criadores (Denzin e Lincoln 2018).
As entrevistas foram conduzidas com três artesãos naturais do concelho de Vinhais (tabela 1), especificamente da aldeia de Ousilhão: dois homens e uma mulher. Atualmente, tratam-se dos únicos artesãos ativos de máscaras e trajes tradicionais dos Máscaras de Ousilhão, assegurando uma diversidade de perspetivas quanto ao género, à experiência artesanal e à ligação com a festividade. Esta abordagem qualitativa, permitiu integrar diferentes visões sobre a prática artesanal e o seu papel na manutenção e transformação da tradição (Patton 2015). A seguir, nos referiremos ao nome, gênero, idade, habilitação académica, profissão, naturalidadee artesanato de cada uma das pessoas entrevistadas:
- SF: feminino, 49 anos, licenciatura, professora, França, máscara e traje do careto.
- RF: masculino, 37 anos, 12º, GNR,Ousilhão, máscara do careto.
- VA: masculino, 48 anos, licenciatura, enfermeiro, Ousilhão, máscara do careto.
A opção por entrevistas semi-estruturadas justificou-se pela necessidade de equilibrar um conjunto comum de questões relacionadas com o processo de produção, o simbolismo das máscaras, o papel da festa e as perceções dos entrevistados quanto à questão da inovação, sempre com a flexibilidade necessária para acolher discursos espontâneos e experiências pessoais. Este tipo de entrevista é particularmente eficaz em estudos de índole cultural comunitária, pois promove o diálogo e o reconhecimento das vozes locais (Kvale e Brinkmann 2015). Cada entrevista teve a duração aproximada de 20 a 30 minutos e foi realizada presencialmente, em contexto informal, privilegiando o conforto dos entrevistados e a criação de um ambiente propício à partilha.
Os dados recolhidos foram registados em áudio, com o consentimento prévio dos participantes, e posteriormente transcritos para análise. A interpretação dos testemunhos foi orientada por categorias temáticas emergentes, como a tradição, a identidade, o género e a inovação, respeitando os princípios da análise qualitativa interpretativa (Braun e Clarke 2006) e considerando o contexto cultural e simbólico da barreira linguística.
Os nomes dos entrevistados foram preservados sob anonimato, conforme os princípios éticos da investigação em ciências sociais, assegurando o respeito pela confidencialidade e pela autonomia dos participantes (Bera 2018).
Esta componente empírica permitiu não só enriquecer a visão sobre a temática da máscara enquanto artefacto, mas também revelar a pluralidade de significados atribuídos à sua produção e uso no seio da comunidade. O cruzamento entre os discursos dos artesãos e a análise teórica reforça a centralidade da máscara como dispositivo vivo de cultura, memória e identidade (Pink 2009).
Foram elaboradas quatro perguntas de investigação com o objetivo de explorar, em profundidade, os significados culturais, estéticos e sociais atribuídos à máscara dos Caretos de Ousilhão. A primeira questão (Q1) procura compreender de que forma uma abordagem materialista (Gell 1998, Miller 2005) pode destacar a máscara como um artefacto artístico e cultural, produzido por saberes locais e imbuído de valores simbólicos que ultrapassam a sua função decorativa. A segunda pergunta (Q2) procura investigar como a máscara e o traje do Caretooperam enquanto construções identitárias, marcando a pertença a uma comunidade e reforçando laços de memória coletiva (Barthes 1983, Buch e outros 2011b). A terceira questão (Q3) aborda sobre a possibilidade de inovação, com foco na inclusão de género, um tema central e atual em práticas festivas tradicionais que exige uma análise sensível à tensão entre a continuidade e a transformação (Gaur e Chapnerkar 2015, Barkar 2023). Finalmente, a quarta pergunta (Q4) orienta-se para o papel cenográfico e ritualístico da máscara na Festa de Santo Estêvão da aldeia de Ousilhão, entendendo-a como elemento performativo e artístico central que mobiliza estéticas populares e artesanais no seio da celebração (Turner 1982, Pink 2009).
- Q1. Como a abordagem materialista influência a interpretação da máscara tradicional e popular como artefactos artísticos dentro dos seus contextos culturais?
- Q2. De que maneira analisa a máscara e o traje do Careto de Ousilhão como uma construção cultural e estética que impacta a identidade da comunidade?
- Q3. Há espaço para inovação? Se sim, desde logo no que respeita às questões de género, há espaço para mulheres nesta representação festiva?
- Q4. Qual é o papel da máscara na cenografia ritualística da Festa do Santo Estêvão de Ousilhão e como isso se reflete na sua representação artística e artesanal?
Finalmente o tratamento e análise dos dados recolhidos nas entrevistas semiestruturadas realizadas, foram tratadas manualmente e também processadas através do software IRAMUTEQ (Camargo e Justo 2013). O uso deste software, gratuito, oferece vantagens quanto à codificação, organização e separação dos dados recolhidos (Souza e outros 2018).
As entrevistas foram conduzidas entre os meses de março e maio de 2024. O questionário continha questões abertas que permitiram aos entrevistados abordar: (1) o processo de confeção das máscaras e trajes; (2) a perceção sobre o papel simbólico e social das máscaras; (3) a transmissão intergeracional dos saberes; e (4) a perceção das mudanças recentes, incluindo a participação feminina na festividade. Escolhemos para participar no presente estudo, todos os artesãos em atividade existentes na comunidade.

Fotografia 5. Tecelagem traje do máscara de Ousilhão.
Artesã Sandrina Fernandes. Autor: Roberto Afonso (2023).
4. Discussão de resultados
As entrevistas realizadas aos três artesãos de Ousilhão revelaram um conjunto de informações, perceções e experiências que confirmam e aprofundem as dimensões teóricas analisadas neste estudo. Ao articular os testemunhos com a bibliografia académica de referência, é possível compreender de forma mais concreta como a máscara dos Caretos opera como um artefacto artístico, cultural e identitário em constante negociação entre a tradição, a identidade e a contemporaneidade.
4.1. Abordagem materialista e produção artesanal
A partir das respostas obtidas à Q1, VA e RF observam que a abordagem materialista à máscara está fortemente ligada à prática artesanal e ao contexto social do seu criador. VA alerta para o risco da descontextualização da produção em massa, especialmente quando esta é feita por agentes externos motivados apenas por interesses comerciais, refletindo-se uma perda de ligação entre o objeto e a tradição. Por outro lado, RF associa diretamente a máscara ao quotidiano e à vida do artesão, entendendo-a como espelho da experiência vivida, num ponto de contacto direto com a teoria e visão de Lin e Lee (2020), que concebem o artefacto como um dispositivo cultural sensível ao contexto.
Esta leitura é reforçada por SF, que, apesar de não responder diretamente à questão teórica, evidencia na sua prática uma dimensão profundamente sensorial e emocional da produção da máscara do Máscara de Ousilhão. Para ela, esculpir uma careta é uma viagem pessoal que transforma matéria em simbolismo, uma perspetiva que reforça a relevância da produção artesanal como forma de conhecimento e expressão (Falah e outros 2021).
4.2. Máscara, traje e identidade comunitária
No que respeita à Q2, todos os entrevistados (SF, RF e VA) sublinham a importância do traje e da máscara como elementos centrais na identidade cultural da aldeia de Ousilhão. VA refere-se à careta e às mantas (usadas para construir o traje) como distintivos únicos da sua aldeia, inexistentes noutras regiões de Portugal, reforçando a ideia de um património estético e simbólico local. RF detalha os componentes do traje, descrevendo-o como um conjunto visualmente aprazível que marca a pertença à comunidade, alinhando-se com a perspetiva de autores como Tao e outros (2020) e Guo e outros (2021), que defendem o vestuário tradicional como uma forma de comunicação identitária.
SF, por sua vez, associa a máscara e o traje a relíquias preservadas nas casas da aldeia, tratadas sempre com muito cuidado e respeito —o que evidencia o seu valor enquanto objetos de memória e continuidade cultural. Estes dados reforçam a ideia de que os artefactos não são apenas componentes da festividade de Ousilhão, mas guardiões de uma herança coletiva, como defendido por Gibson e outros (2009) e Skogvang (2020).
4.3. Inovação, género e adaptação cultural
Um dos temas mais reveladores das entrevistas, relativamente à Q3, foi a reflexão gerada em torno da inovação e, em particular, a inclusão de mulheres na representação da festividade dos Máscara de Ousilhão. Todos os artesãos reconhecem que a participação feminina é uma realidade antiga, crescente e natural em Ousilhão. VA justifica-a pela necessidade de manter viva a tradição face à desertificação humana, bem evidenciada nos dados demográficos da freguesia e do Concelho de Vinhais; RF afirma que “a máscara não tem género” enquanto SF destaca que a mudança ocorreu de uma forma espontânea, sem nunca desvirtuar o sentido e simbolismo da festa (De Almeida 2009).
Este consenso entre os artesãos entrevistados demonstra que a inovação não é encarada como uma ameaça, mas sim como uma adaptação necessária, desde que ancorada na essência da tradição. Essa visão vai ao encontro de autores como Gaur e Chapnerkar (2015) e Barkar (2023) apontando que a inovação, especialmente quando inclui a dimensão de género, pode enriquecer e renovar o significado das práticas culturais.
4.4. Máscara como centro cenográfico e simbólico
No que respeita à Q4, a centralidade da máscara na encenação ritual é consensual entre os três entrevistados. VA afirma que é “a peça fundamental” da festa, permitindo uma liberdade simbólica que expulsa os maus espíritos e afirma os jovens perante os mais velhos. RF realça o seu impacto cénico que o motiva a procurar constantemente aperfeiçoar o seu trabalho, enquanto SF descreve a produção de máscaras do Careto como um momento de forte envolvimento emocional e artístico.
Estes testemunhos reiteram que a caretanão é apenas um elemento decorativo, mas o fulcro da narrativa simbólica da festividade, ponto também sublinhado por Jamieson (2004) e Lin e Lee (2020), ao considerarem o objeto ritual como um veículo de significados e de experiência coletiva.
4.5. Análise Lexicométrica – IRaMuTeQ
Para efeitos do desenvolvimento do estudo e análise de resultados, em particular no que respeita ao princípio da lexicometria através da utilização do software IRaMuTeQ, procedeu-se à construção de corpus de textos coerentes e adequados, transcrevendo o conteúdos registados das 3 entrevistas semiestruturadas realizadas aos artesãos, implicando-se ainda, por parte dos investigadores, um conjunto de decisões prévias que incidiram sobre a construção do corpus, segundo critérios de inclusão e exclusão de textos como unidades de contexto inicial, seleção da unidade de registo (palavra, frase ou segmento de texto) como unidades de contexto elementar, e seleção de um procedimento para a normalização ou lematização da unidade de registo (Souza e outros 2018).
Com intuito de garantir a fiabilidade e coerência dos dados em análise, aplicámos o mesmo protocolo de procedimentos de tratamento lexicométrico a todos os subcorpus criados e utilizados como base para a geração de “nuvens de palavras” que evidenciem as formas de texto mais relevantes.
O corpusprincipal possui 14 segmentos de texto, 491 ocorrências registadas e 253 número de formas distintas. Através do uso da Análise de Similitude (Marchand e Ratinaud 2012) do corpus através do software IRAMUTEQ, cujo índice aponta para o de co-ocorrências usando o modelo de apresentação “Circle”, opções “comunidade” e “halo” selecionadas, obtivemos como output as principais ocorrências com mais frequência (gráfico 1), destacando-se as formas: produto (7), tradição (5), divulgação (5), negócio (5), local (4), aldeia (3), empreendedorismo (3), preservação (3), existir (3) e comunidade (3).
Cumulativamente, e para um maior entendimento dos resultados obtidos pela Análise de Similitude gerada, foi usado o mesmo corpus de texto para a geração de uma nuvem de palavras que reforce a análise e predominância das formas mais relevantes (figura 2).
Destaca-se como eixo principal, o produto (7), no presente caso a máscara ou o traje, como o centro de um negócio (5) que respeita a tradição (5) e aposta na sua divulgação (5) como forma de crescimento e desenvolvimento no contexto local (4), em particular na aldeia de Ousilhão (3), promovendo o empreendedorismo (3) e a preservação (3) cultural, enquanto fortalece o sentido de comunidade (3) que, ao existir (3), eleva o espírito de identidade e pertença à mesma.
5. Conclusões
Este estudo explorou a máscara dos Máscaras de Ousilhão como um artefacto multifacetado que entrelaça dimensões materiais, simbólicas e sociais, posicionando-a no cerne da Festa de Santo Estêvão como um dispositivo vivo de cultura, memória e identidade (UNESCO 2003). A análise, fundamentada em uma abordagem qualitativa e nos testemunhos de três artesãos locais (SF, RF e VA), revelou que a máscara transcende a sua função ritualística ou decorativa, operando como um mediador dinâmico entre a tradição e a contemporaneidade.
A abordagem materialista destacou a produção artesanal da máscara como um processo impregnado de significado, no qual os saberes locais, escolhas de materiais e experiências pessoais convergem para criar uma peça artesanal que reflete tanto a agência do artesão quanto o contexto cultural da aldeia (Gell 1998, Miller 2005, Rodrigues e outros 2024). Os relatos dos entrevistados sublinharam que a confeção da caretanão é apenas técnica, mas uma prática sensorial e emocional que conecta o indivíduo ao coletivo, corroborando a ideia de que os artefactos culturais possuem uma “vida social” intrinsecamente ligada às relações que os sustentam (Appadurai 1986, Sennett 2008).
No que diz respeito à identidade comunitária, a máscara e o traje emergiram como emblemas de pertença e continuidade, funcionando como arquivos materiais da história de Ousilhão (Gibson e outros 2009, Tao e outros 2020). Os artesãos enfatizaram a sua singularidade estética e simbólica, bem como seu papel em fortalecer os laços sociais durante a festividade, evidenciando que esses objetos não representam apenas a comunidade, mas constroem-na ativamente através da ativação do seu ritual (Turner 1982, Gell 1998, Miller 2005). A preservação cuidadosa desses artefactos nas casas da aldeia reforça o seu valor como relíquias de memória coletiva, um ponto muito importante e que destaca a resiliência cultural da população da aldeia de Ousilhão face ao despovoamento e às transformações demográficas vividas.
A questão da inovação, no que diz respeito particularmente à inclusão de género, revelou-se um dos achados mais significativos do presente estudo. Os testemunhos recolhidos indicaram que a participação feminina nos Máscaras de Ousilhão –seja na sua performance, seja na sua produção artesanal (máscara e traje)– tornou-se uma prática histórica que se intensificou como resposta às mudanças sociais, nomeadamente fruto da desertificação humana vivenciada neste meio rural. Longe de ser vista como um rutura, essa adaptação foi entendida e assimilada pela população como uma evolução natural que revitaliza a tradição, alinhando-se à visão conceptual de Hobsbawm e Ranger (1983) de que as tradições são “inventadas e reinventadas” para atender às necessidades do presente. A visão de RF de que “a máscara não tem género” e o papel de SF como artesã sugerem que a inclusão amplia a representatividade da festa, promovendo um diálogo entre a continuidade e a transformação (Gaur e Chapnerkar 2015, Barkar 2023).
Finalmente, a centralidade da máscara do Máscara de Ousilhão na cenografia ritualística da Festividade de Santo Estêvão foi confirmada como um dos aspetos mais distintivos. Os artesãos descreveram-na como o fulcro da celebração, articulando funções simbólicas –como a expulsão de maus espíritos e a afirmação da juventude– através de uma estética impactante que anima as ruas e espaços públicos da aldeia (Turner 1982, Lin e Lee 2020). Esse papel performativo, aliado ao envolvimento emocional da sua produção, posiciona a máscara do Careto de Ousilhão como um ponto de convergência entre a arte, o ritual e a comunidade, reafirmando a sua relevância como uma expressão cultural viva.
Esses resultados contribuem para uma reflexão antropológica sobre o papel das práticas festivas no fortalecimento da identidade local e na valorização do património imaterial cultural e identitário, especialmente em contextos rurais marcados por desafios contemporâneos. A máscara dos Máscaras de Ousilhão emerge, assim, como um símbolo de resistência e adaptação, capaz de mediar o passado e o presente, a tradição e a inovação.
Apesar do caráter resiliente e identitário da festividade e dos artesãos que contribuem para a mesma, importa reconhecer os riscos associados à turistificação e à mercantilização das tradições e do artesanato. A crescente procura por máscaras e eventos turísticos pode transformar práticas comunitárias em produtos culturais destinados ao consumo, deslocando o foco da vivência ritual para a lógica económica. Este processo, se não for mediado por políticas culturais participativas e sustentáveis, pode fragilizar a autenticidade e a autonomia simbólica das comunidades. Assim, o equilíbrio entre a valorização patrimonial e a exploração turística deve ser constante, garantindo que a comunidade permaneça a verdadeira protagonista do seu património cultural imaterial.
5.1. Implicações e limitações do estudo
As implicações deste estudo estendem-se à gestão e manutenção do património cultural imaterial e às políticas de desenvolvimento local. A valorização da máscara como artefacto vivo reforça a necessidade da criação de programas de apoio ao empreendedorismo, formação sobre práticas artesanais e patrimoniais e criação de redes regionais de artesãos. Em termos teóricos, os resultados obtidos aprofundam o debate sobre a materialidade da cultura enquanto dimensão ativa da experiência social, e como os objetos se tornam mediadores de sentido e identidade, refletindo as interações entre identidade, género e o seu valor simbólico, num contexto de globalização cultural, onde o local e o global interagem mutuamente.
Apesar dos contributos apresentados, este estudo possui algumas limitações que devem ser consideradas. A amostra restrita a três artesãos, embora representativa dos únicos artesãos ativos em Ousilhão, restringe a diversidade de perspetivas e pode não captar plenamente a pluralidade de vozes existentes na comunidade. Para além disso, a abordagem qualitativa, centrada em entrevistas, privilegiou narrativas individuais em detrimento de uma observação mais ampla da festa em contexto, como uma análise etnográfica detalhada da performance dos Caretos. A ausência de dados longitudinais também limitou a capacidade de avaliar mudanças históricas na produção e uso da máscara do Careto, especialmente em relação à inclusão de género nas festividades. Finalmente, a barreira linguística e as especificidades do dialeto local podem ter influenciado a interpretação dos testemunhos, ainda que mitigadas pela familiaridade dos investigadores no contexto cultural vivenciado.
5.2. Linhas para investigação futura
As limitações apontadas abrem caminhos para investigações futuras que podem aprofundar e expandir os resultados obtidos no presente estudo. Uma análise comparativa com outras festividades de máscaras no Nordeste Transmontano, como os Caretos de Podence ou outros rituais associados aos Caretos nos Concelhos de Bragança ou Vinhais, permitiria identificar especificidades regionais e processos de preservação desse património imaterial, explorando como diferentes comunidades lidam com a tradição e a modernidade. Um estudo longitudinal sobre a participação feminina nos Caretos de Ousilhão poderia esclarecer a evolução dessa inclusão ao longo do tempo, mapeando as suas implicações na dinâmica comunitária e na perceção de autenticidade cultural. Investigações que combinem etnografia visual e análise sensorial, por exemplo, através de registros fotográficos, vídeos ou descrições detalhadas da performance, ofereceriam uma compreensão mais rica da dimensão estética e performativa da máscara, capturando aspetos que escapam à narrativa verbal (Pink 2009). Para além disso, a exploração das redes de transmissão intergeracional dos saberes artesanais, incluindo o papel dos artesãos ou familiares dos mesmos, poderia revelar como a tradição é perpetuada e transformada em contextos de despovoamento humano em territórios rurais. Finalmente, um exame do impacto de políticas culturais e turísticas na produção e uso da máscara do Careto ajudaria a entender como a preservação patrimonial imaterial afeta o seu significado ao nível local, oferecendo respostas sobre os desafios da globalização no que respeita às práticas tradicionais.
Acknowledgements
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